quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Versos de Fantasias

Peço aqui uma licença poética,
Explico.
É que as coisas tem acontecido
tão rápidas!

Meus jovens olhos já não acompanham
a velocidade dessas fantasias
Que desfilam, alegóricas em minha mente.
Tão megalomaníacas e sedentas por sair
da ponta de meu lápis
que já não sei mais como expressá-las.

Continuo atordoado, com essa enxurrada
de projeções imaginárias.
Nada mais são do que um manifesto
Da minha própria inconstância.

Ah, se eu pudesse expressar tudo
o que se passa em mim!
Se minha cabeça por um momento rompesse
a barreira do imaginário...
Essas alegorias grandiosas de minha mente
desfilariam pelas ruas,
Gritando e clamando por carnaval.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Solidão

Paira sobre mim, louca amante,
Sempre tão presente.
Beije meus lábios na escuridão,
Quando ninguém estiver vendo,
Ó, tenra companheira!
Do teu amor não desconfio,
E entrego-me de corpo e alma
Minha doce solidão.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Universo

o silêncio da madrugada...
tento ir até a lua,
e vejo o quão pequeno sou.
De repente, deixo de existir.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Discurso de um Louco

Ah! Felizes somos nós,
Que, errantes, criamos e recriamos
As nossas próprias realidades,
e tememos ser absorvidos pela cultura.

Em meu mundo delirante, finalmente
encontro a quem amar e investir
tudo aquilo que possuo dentro de mim.
Construo aquilo que quero, fantasio
tudo o que não me apetece.

Colorido, desbotado, se tornam
as cores da minha psiquê, como
eu desejar, para quem quiser.
Protejo e protesto e procrio
Sempre essa minha errância,
que desabrocha na minha instância
mais profunda, e onde eu finalmente
vivo, mas não sozinho

Mas comigo mesmo.

domingo, 6 de junho de 2010

Para uma Jovem Insegura

As mãos se perdem no vazio,
à procura de um porto seguro.
Não se acende mais a luz do quarto
quando se tem medo do escuro.

Então respire fundo, crie coragem
e se jogue lentamente.
o futuro é, apenas,
a escuridão da vida.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Desdesconstrução

Desconstruir para observar,
Observar para compreeder
Compreender para complicar,
Complicar pra quê?

Procura, acha, procura de novo,
Não satisfeito, pesquisa ainda mais.
Somos engolidos pelas hipóteses,
Teoremas, teorias, hipotenusas.

Não satisfeito, somos tomados pelo impulso
do saber, e acaba-se sabendo demais.
E mais uma vez, o homem peca pelo excesso
quando o mais simples, muitas vezes,
É sentir, com todo os poros da epiderme,
Com toda a paixão no coração,
Desdesconstruir.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Para uma Existência Material I

Não são poucas as vezes
Em que me sinto tão pequeno,
insignificante perante aos vastos
campos verdes tão orgânicos,
À imensidão do firmamento, distante
e intocável em sua exuberância.

É nessas horas que fecho meu peito
e me retraio em minha existência
efêmera e tão destituída de valor.
Respiro baixo para não ser percebido,
o ar que me sustenta.
Transpiro, exalando o odor da minha
inexorável podridão enquanto ser humano.

Não há como alcançar as estrelas
e prefiro prender-me aos grãos vivos
de terra que aperto em minhas mãos.
Lembro dessa condição limitada,
a matéria à qual sou preso
que um dia se tornará fétida
e apenas restos de um corpo vazio.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Sobre o Amor I

Solte o seu amor,
O mundo é vasto, querida.
Deixe-o voar para bem longe,
Respirar e explorar seus horizontes.

Solte o seu amor,
Pois ele também precisa respirar, querido.
Uma jaula entristece o pássaro
Que anseia pela liberdade.

Percorre os limites das ideias,
Do espaço de nossos corações.
O amor verdadeiro, quando livre,
Busca aconchego em seu ninho.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Despedida

Al
mejar
cançar
tivez
ternar
terar
oprar
ucinar

Destituir-se do padrão.
Adeus, sanidade.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Vida

Atirar-se de peito aberto
Ao precipício da vida
Amar loucamente a existência,
E sofrer sem arrependimento.
               Voar
          Voar
     Voar
Voar

E morrer feliz ao se espatifar!

sábado, 1 de maio de 2010

A Porta

Ah, porta das ilusões!
Engana a todos os ratos,
Que dançam em círculos em meio
a lama que vivem, ó céus!

Ah, porta das ilusões!
Atrai todos esses porcos que,
imundos chafurdam o chiqueiro,
(dinheiro, dinheiro, dinheiro)

Ah, porta das ilusões!
Que corrompe os mal-aventurados,
Lá vão eles se juntar aos ratos!
Dançam na estultície do esgoto,
Banham-se em um ritual sinistro
Celebram a estupidez da vida.

Um suspiro, um feixe de esperança...
Veja o sol ainda tão puro,
Sua luz invade meus olhos, já cansados,
O ar vai se tornando pesado e o céu
começa cair, enegrecido de sujeira.

Como gostaria de permanecer aqui
Longe da porta, longe das ilusões,
Das luzes e da corrupção.
Ah, mas não consigo viver sem você,
Ó doce portal das minhas mágoas,
minha musa, imunda e altiva!
Entro em ti e não me arrependo,
Ó porta das ilusões!

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Soneto da Transitoriedade

Ah! Quão doce é essa destruição
Que permeia toda minha existência!
É tão presente em meu coração
Como uma constante, extinguindo a inocência.

Mansa... Ela sorrateiramente aparece,
e se instala em um canto obscuro, desconhecido.
Cresce em silêncio, e quando um dia amanhece
Dilacera qualquer esperança de um sentido.

E no meio do meu pedaço amputado,
Estanco toda ferida causada,
Para reconciliar as partes perdidas

E renascer mais uma vez, renovado.
Aprender com essa transitoriedade, que é a vida
O sofrer, o amar, o doer, sem medidas.

domingo, 25 de abril de 2010

Cidade

Tantas coisas acontecendo
Uma voz que fala, a outra que grita
Uma noite sombria, uma brisa fria

E as pessoas se moviam,
e tudo se apressava...
Quando menos se espera
Em meio ao torpor da guerra...


Depois de tanta dor,
olha o pouco que resta
no fim desta festa.
com o pranto do amor
de quem não entende
toda essa violência

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vil Realidade

Flores flamejantes no céu,
Voam em torno de luas amarelas.
Oh! Pára-raios em cima dos edificios
Em meio a floresta, que engole amores.
Ah! E ser livre, para voar distante,
Âmago do ser, austero e marcante
Destruição.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Soneto para um Amor Perdido

Ah! Como as folhas caducas do outono,
caem tristemente com sua beleza fria.
Assim se foi, durante meu pesado sono
Quem movia minha vida e me dava alegria.

A viagem sem volta que você fez,
Saudade distante, sofrimento mórbido.
Sei que não durará apenas um mês,
Mas sim todo o sempre, vida sem sentido.

Fique onde está, não volte agora!
Não aguentaria lhe ter mais um segundo,
Sabendo que você novamente iria embora.

Como gostaria de procurar-te pelo mundo,
E ir de encontro ao seu corpo, só por uma hora
Mas sei que não voltará, em meu pranto profundo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sobre Breves Cantares

E foi assim que eu cantei
em meus versos tortos
todo o meu amor.

Aposentei a vida devassa
(essa sem regras e rebelde)
pela sua doçura, pelo seu afeto.

Entreguei a ti, querida
o meu coração.


Uma pequena homenagem ao mestre Filipe Couto
(http://asoutraspalavras.blogspot.com/)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Para uma Montanha Vazia

Ah, se não me canso de contemplar,
essa tua grandeza, ó gigante rochedo!
Coloco-me diante de seus pés e
admiro, a grandeza e imponência
dessa montanha que toca o céu.

E dentro de ti carrega esse nada
de sua existência rochosa.
Tão admirável e inabalável é
esse seu vazio sábio!
De algo que está acima das nuvens,
e faz com que qualquer ser pareça
apenas um breve suspiro da natureza.

A simplicidade de ser, a beleza
de existir, nesse modesto vazio!
A ausência do tudo, a presença do nada,
Ah, como almejo essa sua beleza
Montanha Vazia!