quarta-feira, 28 de abril de 2010

Soneto da Transitoriedade

Ah! Quão doce é essa destruição
Que permeia toda minha existência!
É tão presente em meu coração
Como uma constante, extinguindo a inocência.

Mansa... Ela sorrateiramente aparece,
e se instala em um canto obscuro, desconhecido.
Cresce em silêncio, e quando um dia amanhece
Dilacera qualquer esperança de um sentido.

E no meio do meu pedaço amputado,
Estanco toda ferida causada,
Para reconciliar as partes perdidas

E renascer mais uma vez, renovado.
Aprender com essa transitoriedade, que é a vida
O sofrer, o amar, o doer, sem medidas.

domingo, 25 de abril de 2010

Cidade

Tantas coisas acontecendo
Uma voz que fala, a outra que grita
Uma noite sombria, uma brisa fria

E as pessoas se moviam,
e tudo se apressava...
Quando menos se espera
Em meio ao torpor da guerra...


Depois de tanta dor,
olha o pouco que resta
no fim desta festa.
com o pranto do amor
de quem não entende
toda essa violência

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Vil Realidade

Flores flamejantes no céu,
Voam em torno de luas amarelas.
Oh! Pára-raios em cima dos edificios
Em meio a floresta, que engole amores.
Ah! E ser livre, para voar distante,
Âmago do ser, austero e marcante
Destruição.

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Soneto para um Amor Perdido

Ah! Como as folhas caducas do outono,
caem tristemente com sua beleza fria.
Assim se foi, durante meu pesado sono
Quem movia minha vida e me dava alegria.

A viagem sem volta que você fez,
Saudade distante, sofrimento mórbido.
Sei que não durará apenas um mês,
Mas sim todo o sempre, vida sem sentido.

Fique onde está, não volte agora!
Não aguentaria lhe ter mais um segundo,
Sabendo que você novamente iria embora.

Como gostaria de procurar-te pelo mundo,
E ir de encontro ao seu corpo, só por uma hora
Mas sei que não voltará, em meu pranto profundo.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Sobre Breves Cantares

E foi assim que eu cantei
em meus versos tortos
todo o meu amor.

Aposentei a vida devassa
(essa sem regras e rebelde)
pela sua doçura, pelo seu afeto.

Entreguei a ti, querida
o meu coração.


Uma pequena homenagem ao mestre Filipe Couto
(http://asoutraspalavras.blogspot.com/)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Para uma Montanha Vazia

Ah, se não me canso de contemplar,
essa tua grandeza, ó gigante rochedo!
Coloco-me diante de seus pés e
admiro, a grandeza e imponência
dessa montanha que toca o céu.

E dentro de ti carrega esse nada
de sua existência rochosa.
Tão admirável e inabalável é
esse seu vazio sábio!
De algo que está acima das nuvens,
e faz com que qualquer ser pareça
apenas um breve suspiro da natureza.

A simplicidade de ser, a beleza
de existir, nesse modesto vazio!
A ausência do tudo, a presença do nada,
Ah, como almejo essa sua beleza
Montanha Vazia!