segunda-feira, 24 de maio de 2010

Desdesconstrução

Desconstruir para observar,
Observar para compreeder
Compreender para complicar,
Complicar pra quê?

Procura, acha, procura de novo,
Não satisfeito, pesquisa ainda mais.
Somos engolidos pelas hipóteses,
Teoremas, teorias, hipotenusas.

Não satisfeito, somos tomados pelo impulso
do saber, e acaba-se sabendo demais.
E mais uma vez, o homem peca pelo excesso
quando o mais simples, muitas vezes,
É sentir, com todo os poros da epiderme,
Com toda a paixão no coração,
Desdesconstruir.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Para uma Existência Material I

Não são poucas as vezes
Em que me sinto tão pequeno,
insignificante perante aos vastos
campos verdes tão orgânicos,
À imensidão do firmamento, distante
e intocável em sua exuberância.

É nessas horas que fecho meu peito
e me retraio em minha existência
efêmera e tão destituída de valor.
Respiro baixo para não ser percebido,
o ar que me sustenta.
Transpiro, exalando o odor da minha
inexorável podridão enquanto ser humano.

Não há como alcançar as estrelas
e prefiro prender-me aos grãos vivos
de terra que aperto em minhas mãos.
Lembro dessa condição limitada,
a matéria à qual sou preso
que um dia se tornará fétida
e apenas restos de um corpo vazio.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Sobre o Amor I

Solte o seu amor,
O mundo é vasto, querida.
Deixe-o voar para bem longe,
Respirar e explorar seus horizontes.

Solte o seu amor,
Pois ele também precisa respirar, querido.
Uma jaula entristece o pássaro
Que anseia pela liberdade.

Percorre os limites das ideias,
Do espaço de nossos corações.
O amor verdadeiro, quando livre,
Busca aconchego em seu ninho.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Despedida

Al
mejar
cançar
tivez
ternar
terar
oprar
ucinar

Destituir-se do padrão.
Adeus, sanidade.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Vida

Atirar-se de peito aberto
Ao precipício da vida
Amar loucamente a existência,
E sofrer sem arrependimento.
               Voar
          Voar
     Voar
Voar

E morrer feliz ao se espatifar!

sábado, 1 de maio de 2010

A Porta

Ah, porta das ilusões!
Engana a todos os ratos,
Que dançam em círculos em meio
a lama que vivem, ó céus!

Ah, porta das ilusões!
Atrai todos esses porcos que,
imundos chafurdam o chiqueiro,
(dinheiro, dinheiro, dinheiro)

Ah, porta das ilusões!
Que corrompe os mal-aventurados,
Lá vão eles se juntar aos ratos!
Dançam na estultície do esgoto,
Banham-se em um ritual sinistro
Celebram a estupidez da vida.

Um suspiro, um feixe de esperança...
Veja o sol ainda tão puro,
Sua luz invade meus olhos, já cansados,
O ar vai se tornando pesado e o céu
começa cair, enegrecido de sujeira.

Como gostaria de permanecer aqui
Longe da porta, longe das ilusões,
Das luzes e da corrupção.
Ah, mas não consigo viver sem você,
Ó doce portal das minhas mágoas,
minha musa, imunda e altiva!
Entro em ti e não me arrependo,
Ó porta das ilusões!