sábado, 1 de maio de 2010

A Porta

Ah, porta das ilusões!
Engana a todos os ratos,
Que dançam em círculos em meio
a lama que vivem, ó céus!

Ah, porta das ilusões!
Atrai todos esses porcos que,
imundos chafurdam o chiqueiro,
(dinheiro, dinheiro, dinheiro)

Ah, porta das ilusões!
Que corrompe os mal-aventurados,
Lá vão eles se juntar aos ratos!
Dançam na estultície do esgoto,
Banham-se em um ritual sinistro
Celebram a estupidez da vida.

Um suspiro, um feixe de esperança...
Veja o sol ainda tão puro,
Sua luz invade meus olhos, já cansados,
O ar vai se tornando pesado e o céu
começa cair, enegrecido de sujeira.

Como gostaria de permanecer aqui
Longe da porta, longe das ilusões,
Das luzes e da corrupção.
Ah, mas não consigo viver sem você,
Ó doce portal das minhas mágoas,
minha musa, imunda e altiva!
Entro em ti e não me arrependo,
Ó porta das ilusões!

5 comentários:

Nathalie disse...

Estava inspirado, hein? :)

Helena W. Brandão disse...

Ilusões, tão traiçoeiras e tão necessárias... Ótimo poema!

indivídua disse...

e o que há atrás da porta?

http://celuliteseoutrasestranhezasdemulher.blogspot.com/

Juan Moravagine Carneiro disse...

Aliás ambos espaços de muita qualidade meu caro...

Belo poema!


Abraço

V_ Leal disse...

vamos nos deslocando ao longo das horas de uma ilusão pra outra. inevitável?

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